Como ocorre a dependência química e o que fazer

Seja com álcool, nicotina, drogas ilícitas ou medicamentos, antes do uso de qualquer substância química, o que leva a pessoa a buscá-las por diversão, prazer ou como solução para seus problemas, é uma imagem positiva construída socialmente em relação ao uso. Ou seja, para quem experimenta drogas, há a interpretação de que usar é bom, por conta de falsa sensação de bem-estar ou por que, simplesmente, o grupo de pessoas que o usuário está inserido considera legal.

Para pertencer ao grupo, a pessoa sente que precisa usar a substância. Desta forma, se ele considera usar drogas como algo positivo, descolado, que o eleva a um status de destaque perante seu grupo, dificilmente ele vai encarar o uso de entorpecentes como doença.

A dependência química ocorre a partir de uma combinação que envolve a vulnerabilidade do organismo, fatores psicológicos e sociais. Por isso, o tratamento desta doença tem de abordar todas as áreas do paciente.

Assim, para tratar a doença, a clínica para dependência química, por meio de seus psicólogos e terapeutas, tem com um de seus primeiros desafios, levar o paciente a dar um significado diferente à imagem das drogas em sua vida.

Seja qual for a forma ou metodologia do tratamento, a clínica para dependência química deve considerar todas as faces da doença e não se atentar apenas aos sintomas mais aparentes. Este olhar para o todo tem demonstrado eficiência em relação à reabilitação de dependentes químicos.

É preciso estar atento às comorbidades

Além dos fatores psicológicos, é preciso levar em conta outros problemas causados ou acentuados pelo uso abusivo de drogas. A dependência química não se apresenta sozinha. Em geral, há comorbidades, transtornos relacionados à doença, pré-existentes ou desenvolvidos com o uso de drogas, que podem se manifestar por depressão, bipolaridade, manias, fobias, hiperatividade, entre outros.

Se o uso de drogas é tratado levando somente em consideração os sintomas mais aparentes, descartando que há outros fatores que levam à dependência, é provável que a reabilitação não seja atingida.

A família também precisa de atenção

Saindo do âmbito do paciente e pensando na construção social que envolve a doença, é preciso falar também sobre codependência da família. Geralmente, a codependência se manifesta por meio de uma relação disfuncional entre o usuário e seus familiares, com muita dor, aflição, angústia, culpa, raiva, entre outros sentimentos conflitantes que costumam acentuar a convicção do usuário de que sua posição em relação às drogas é a correta. Muitas vezes ele recorre ao uso de substâncias para fugir ou enfrentar a família. Por isso ela, de forma geral e membros mais afetados em específico, precisa de atenção especial.

Assim, acreditamos que uma clínica deve observar todos os aspectos que envolvem a doença. Por isso, acredita-se que tratar a doença quando, paralelamente, são tratados os transtornos relacionados, é a melhor forma de conduzir o tratamento.

Se você ou alguém da família precisa de tratamento, procure ajuda especializada.